Existe na face da terra um novo tipo de criminoso que devia ser erradicado.
O fura-bichas. E não, não estou a falar dos gajos que espetam facas no Carlos Castro, estou mesmo a falar daqueles que passam à frente dos outros quando há uma fila, que vou passar a designar como “Palhaço”.
Serão possivelmente das pessoas que me fazem dizer mais asneiras no menor espaço de tempo, tirando os árbitros. Está um gajo no carro, há meia hora, para entrar num acesso, quando vem o palhaço pela direita, a ultrapassar todos e se mete lá à frente.
Nós primeiro estamos descansados, a ouvir rádio, normalmente está o tipo do trânsito a dizer que o sítio onde estamos está a andar bem, descongestionado, e a malta a mandá-lo para o caralho porque o cabrão está sentadinho num estúdio a aldrabar o povo. Depois, num dos gestos de desespero com a cabeça, olhamos de soslaio para o espelho retrovisor do lado direito e lá está ele.
O palhaço! A primeira reacção é de não acreditarmos que ele vai mesmo tentar. Julgamos: “Não, o gajo deve vir de alguma entrada e deve estar a tentar entrar para a fila.”
Mas, de repente, ele dá aquela guinada denunciadora. “O cabrão vai mesmo seguir!”. E então vai de ajeitarmo-nos no assento, engatar a primeira, duas mãos no volante e colar ao carro da frente. Quando ele se aproxima de nós, há duas variantes. Temos os “desafiadores”, que olham para ele e fazem a cara de “Aqui não entras!” e temos os “nem sequer olham”. Ora os “nem sequer olham” dividem-se em dois grupos, os que não olham porque têm medo, e os gozões. Os que têm medo não é preciso explicar, mas os gozões são os que fingem estar distraídos e quando o palhaço está quase a conseguir meter-se, avançam e fazem a cara de: “Ah, desculpe, não reparei que se queria meter…” e culminam com um sorriso. Até aqui tudo bem. O verdadeiro desespero começa quando o assunto deixa de estar nas nossas mãos. Quando ele segue em frente e vai tentar a sorte mais para diante. Aí sim, começa a ginástica para tentar ver se há espaços mais à frente, começam as buzinadelas de cada vez que a fila avança dois centímetros, até que finalmente há um cromo que o deixa meter-se. E não podemos fazer nada. Resumindo, estamos meia hora numa fila, à seca, e vem um palhaço que em dois minutos, algumas buzinadelas e um chorrilho de agressões verbais depois está lá à frente, despachado.
No dia seguinte vamos nós tentar a mesma coisa, e já lá está um polícia a evitar que isso aconteça. Passa-nos uma multa, com toda a razão, os outros condutores passam por nós a rir, alguns até abrem o vidro para dizer: “Então, ó espertalhão!” e demoramos mais tempo do que se ficássemos na fila como os outros.
Raios partam!
«... daqueles (gajos) que ... vou passar a designar por "Palhaço".»?
4, de 1 a 10.
Afixado por: Senhor Doutor em outubro 25, 2003 11:03 AM